Grupo Folclórico

logo_folkO Grupo Folclórico da Universidade do Minho teve a sua estreia no dia 22 de Junho de 1993, integrada na festas Sanjoaninas da cidade de Braga. Estando a Universidade inserida numa região com uma cultura popular tão rica como a do Minho cabe-nos a nós preservar usos e costumes, e o modo muito peculiar de vida dos que nos deixaram esta herança. Assim, é objectivo deste grupo dar a conhecer e divulgar as mais variadas manifestações típicas da cultura do povo Minhoto; o trajar, o cantar e o dançar nos finais do séc. XIX inícios do séc. XX, procurando despertar na juventude o respeito e a valorização desta Cultura.
Do seu reportório fazem parte danças e cantares do Baixo Minho, nomeadamente viras, chulas e malhões, tendo como suporte musical uma ronda composta por cavaquinhos, violas braguesas, concertinas, clarinete, violas, bombo, ferrinhos e reco-recos. Esta ronda, sempre que necessário, é apoiada por elementos do Grupo de Música Popular.
Os seus trajes – de capotilha ou vale do Cávado, de sequeira, de encosta, de ribeira de valdeste e de trabalho – representam a diversidade de zonas existentes na região do Baixo Minho.

foto10Porém há peças que são comuns a todos eles: uma camisa de linho; um colete de “rabos” de grandes recortes; uma saia preta muito rodada até ao tornozelo de baetilha ou cetim, bordada a vidrilhos;um avental; umas chinelas pretas e umas meias brancas rendadas feitas à mão. Noutros tempos, a moça fazia pacientemente o seu traje para toda a vida: para a boda, para a romaria e para a mortalha. O homem usava uma camisa branca bordada, um colete, uma calça preta, uma faixa à cintura, umas meias brancas rendadas, uns sapatos de pele de vitela e um chapéu.
” Não te esqueças que o Minho é crente e o sinal da Fé preside toda a sua vida. A Cruz está sempre no alto dos montes e dos outeiros, nas ermidas e nas encruzilhadas, na porta das casas e do forno, no linhal e nos jugos dos bois, no peito das moças e nos “lenços de namorados”.
Evoca sempre os Santos nas suas aflições e, mais virtuoso que pecador, inconscientemente paganiza-os nas folganças.
A sua devoção é tudo. Por ela regula os trabalhos, os divertimentos, os contractos; por ela marca, o nascimentos dos filhos, o dos vitelos.


Os Trajes

Braga não tem um traje definido. Procurá-lo é trabalho difícil, dadas as características tão diferentes das zonas que toda a região Minhota apresenta: o Litoral, a Ribeira, a Encosta e a Serra; os vales do Cávado, do Ave e do Este, que a cortam…
A moça fazia pacientemente o seu traje para toda a vida: para a boda, para a romaria, e para a mortadada. Era um só e consequentemente fazia-o o melhor e mais alindado que podia.

Do Baixo Minho
foto4Entre os diferentes tipos de fatos usados na Região. – e aqui refiri- mo-nos propiamente ao distrito de Braga, – houve peças comuns a todos eles, … A camisa de linho, bordada ou marcada a vermelho e a preto nas mangas e no peito, com ou sem golas de folhos ou rendas; os coletes de rabos, de grandes recortes, feitos de diferentes cores e tecidos e guarnecidos de muitos modos, peça a firmar o busto e a dar apoio à saia preta de baetilha ou setim, de grande roda, até aos tornozelos, mais ou menos “aparelhada” de veludo, cetins ou vidrilhos.
As algibeiras de diferentes desenhos e cores ou os curiosos “lenços de pedidos”; a chinela preta pespontada a branco e, às vezes, a cores; as meias brancas, rendadas, feitas à mão em linho ou algodão, são peças certas do traje regional.

De Valdeste
foto5Porém se a moça pertencia à região do rio Este, ela envaidecia-se com o seu chapéuzinho de copa rasa, que enfeitava com fitas de veludo e lantejoulas e, descobrindo o busto, mostrava o colete bordado a seu gosto.

De Sequeira
foto6Este traje é uma variante do de Valdeste, sendo aqui o chapéu de copa redonda e além de fitas e penas, ostenta um curioso espelhinho. Neste traje, o colete é preto bordado a vidrinhos e o avental colorido é de puxados.

Da Encosta
foto7Toda a moça, entrada na adolescência, começava a pensar em fazer o seu traje de noiva, traje esse que, depois de levar ao altar, lhe servirias para o baptizado e para o casamento dos filhos e netos e que a acompanharia à sepultura. Era pois um traje único no qual punha todo o seu esmero. È o chamado traje da Encosta ou de jaqueta, o brilho dos vidrinhos sobre o preto da jaqueta, da saia ou do veludo do avental faz inveja ao mais branco luar.

De Capotilha
foto8Era, porém nas romarias que a moça mostrava toda a sua garridice. Cruzando sobre o busto romeiras ou capotilhas vermelhas no caso de ser solteira, azuis no caso de ser casada, sob os quais deixava ver a farta gola da camisa branca. Atando sobre a saia preta, aparalhada com veludos e vidrilhos, um colorido avental de puxados, ela não esquecia as chinelas. Completava o traje com um lenço branco de cambraia ou de tule que, por vezes, atava sob o queixo.

Da Ribeira
Nas zonas ribeirinhas, a moça cobria o busto e a cabeça com lenços coloridos de merino franjado, o que contrastava, agradavelmente, com o negro da saia e do avental muitas vezes de veludo.

De Trabalho
foto9Era usado para os trabalhadores no campo ou mesmo caseiros que, embora confeccionado em tecidos mais simples, nem por isso deixavam de ter um cunho de bom gosto e graciosidade. Como o traje tinha que se apropriar ao movimento, ao trabalho e ao meio, os tecidos são bastante mais resistentes, normalmente de cotim, algodão, linho ou riscado.